A insalubridade por radiações não ionizantes

Dr. Antonio Carlos Vendrame

9 de janeiro de 2024

Na perícia judicial trabalhista, as radiações não ionizantes são avaliadas de forma qualitativa, segundo o anexo 7 da NR 15, o qual não traz outras informações, exceto a de que são passíveis de enquadramento as radiações: 

1.  laser;

2. micro-ondas;

3. ultravioleta.

 

Radiações não ionizantes

Entenda detalhes da insalubridade das radiações não ionizantes.

 

Radiação ultravioleta

A radiação ultravioleta, uma das radiações não ionizantes,  se encontra na faixa de valores entre 400nm e 100nm do espectro eletromagnético e seus efeitos variam em função da faixa do espectro.

O espectro ultravioleta, geralmente, é dividido da seguinte forma:

 

Tipo Comprimento de onda Denominação
UVA entre 400nm e 320nm luz negra
UVB entre 320nm e 280nm eritemática
UVC entre 280nm e 100nm germicida

 

Uma pequena porcentagem da radiação solar que atinge a Terra também se encontra na faixa da luz negra. Do ponto de vista de efeitos sobre o ser humano, essa faixa é considerada sem riscos.

No entanto, o mesmo não pode ser afirmado quanto às demais faixas da ultravioleta.

As faixas denominadas eritemáticas (queimadura) e germicida são as que apresentam maiores riscos à saúde do trabalhador, e estão associadas às operações com solda elétrica, metais em fusão, maçaricos operando a altas temperaturas, lâmpadas germicidas, bem como a própria radiação solar.

A maior parte da radiação solar recebida ocorre nos primeiros 20 anos de vida. Os efeitos da ultravioleta são cumulativos no organismo e só se manifestam com o passar do tempo. As lesões aparecem, na maioria dos casos, por volta dos 40 anos de idade.

A ultravioleta tipo A (UVA) compõe a maior parte do espectro ultravioleta e, é absorvida pelo vidro. É responsável por fotoalergias e também predispõe o indivíduo ao câncer de pele.

A UVA possui uma importante característica quanto à intensidade, que não varia durante o dia, nem mesmo conforme a estação do ano.

A ultravioleta tipo B (UVB) penetra superficialmente na pele. Sua incidência aumenta muito no verão, sendo responsável por queimaduras solares e câncer de pele.

A UVB é mais intensa entre 10 e 16 horas, devendo-se evitar a exposição solar nesse horário.

A radiação com comprimento de onda inferior a 200 nm é fortemente absorvida pelo ar, e consequentemente as faixas de ultravioleta que se aproximam da radiação ionizante apresentam riscos desprezíveis, com exceção de lasers que operam nessa faixa.

Para a radiação com comprimento superior a 200 nm, nas faixas eritemática e germicida, deve-se usar barreiras ou anteparos que podem ser construídos de materiais simples como chapas metálicas, cortinas opacas, etc.

 

Proteção para trabalhadores

Para os trabalhadores diretamente expostos é indispensável o uso de protetores oculares e faciais, bem como proteger as mãos, braços, pescoço, tórax, etc.

As fontes emissoras de radiação UVB e UVC deverão ser enclausuradas sempre que tecnicamente possível, para não haver vazamento no ambiente laboral.

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Micro-ondas

As micro-ondas também estão entre as radiações não ionizantes. São ondas geradas por osciladores de alta frequência e emitidas através de algum tipo de antena. Segundo a ACGIH, as micro-ondas possuem radiofrequências entre 300 MHz e 300 GHz.

A utilização mais comum das micro-ondas é no cozimento de alimentos, fornos de aquecimento, secagem, na telefonia celular e radares para várias aplicações. O efeito agudo mais comum é a opacificação do cristalino (catarata).

 

Proteção para trabalhadores

A proteção às micro-ondas é realizada por blindagem do equipamento e afastamento dos trabalhadores da fonte emissora.

 

Lasers

“Laser” é o acrônimo de light amplification by stimulated emission of radiation e significa “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação”.

A luz de uma fonte laser, outra das radiações não ionizantes, vibra em um único plano, propaga-se em uma única direção e é monocromática, ou seja, tem um único comprimento de onda.

Há vários tipos de laser, dentre eles:

Laser a gás: Os mais comuns são de hélio e hélio-neônio, que emitem luz vermelha. O laser de CO2 emite energia na faixa do infravermelho com comprimento de onda longo. É utilizado para cortar materiais resistentes.

Laser excimer: Utiliza gases reagentes (como cloro e o flúor) misturados com gases nobres (argônio, radônio e xenônio). O nome é derivado das palavras excited e dimmer.

Laser semicondutor: Costuma ser muito pequeno e utiliza baixa energia. É chamado de laser de diodo e é utilizado em impressoras laser ou aparelhos de CD.

O laser é classificado em:

  • Classe I: lasers que não emitem radiação em níveis considerados perigosos;
  • Classe IA: lasers com limite superior de energia de 4mW e não devem ser olhados;
  • Classe II: lasers visíveis de baixa energia, com limite superior a 1 mW;
  • Classe III:  lasers de energia intermediária e são perigosos se olhados frontalmente. Os apontadores a laser se encaixam nessa classe;
  • Classe IV: lasers de alta energia (os contínuos de 500 mW e os pulsados de 10J/cm2). Dentre as aplicações do laser estão o corte de chapas, soldagem, microcirurgia, tratamento de pele, etc.

O órgão mais sensível aos efeitos do laser são os olhos, eis que a radiação direta ou refletida pode afetá-los devido à propriedade que possui a retina de concentrar a radiação.

Quer saber mais ou ficou com dúvidas sobre a insalubridade por radiações não ionizantes? Entre em contato conosco. Será uma satisfação ajudar!