
Um incêndio ou princípio de incêndio pode ser prevenido com diversas medidas de proteção ao lidar com produtos inflamáveis. A abordagem fundamental envolve a avaliação das características dos produtos inflamáveis e das condições de operação para determinar o grau e os limites do perigo, o que, por sua vez, permite a seleção adequada de equipamentos elétricos de acordo com as normas. A compreensão da natureza dos incêndios e explosões associadas a produtos inflamáveis é vital para reduzir as condições perigosas.
Um programa de segurança química bem elaborado é essencial para a segurança no uso e armazenamento de líquidos inflamáveis. Este programa deve incluir a identificação dos riscos, a avaliação dos riscos considerando as situações de trabalho e o pessoal, a implementação de medidas preventivas e de controle, o monitoramento regular da eficácia, a comunicação das informações de perigo e medidas protetivas aos empregados, o planejamento de respostas a emergências e o treinamento.
As medidas de proteção e controle podem ser classificadas da seguinte forma:
1. Medidas preventivas na origem
A consideração primária é adotar medidas preventivas como a eliminação ou substituição de materiais, equipamentos ou processos perigosos por alternativas mais seguras que minimizem os riscos.
Se a eliminação ou substituição não for possível, a segregação dos líquidos inflamáveis, processos ou áreas de trabalho deve ser considerada. A segregação pode ser feita por paredes ou divisórias resistentes ao fogo para isolar áreas de perigo.
2. Controles de engenharia
O objetivo principal é eliminar ou reduzir os riscos na origem.
A ventilação de exaustão (geral, de cabine, local, push-pull) é um meio eficaz para prevenir a acumulação de vapores inflamáveis na atmosfera.
Sistemas de drenagem e contenção secundária são requisitos, especialmente ao exceder a Quantidade Máxima Permitida de materiais perigosos. A contenção secundária deve ser projetada para conter derramamentos significativos, incluindo o volume do maior recipiente mais a vazão de água do sistema de combate a incêndio.
Controle de explosão também é um requisito ao exceder a Quantidade Máxima Permitida.
3. Controle de fontes de ignição
A eliminação ou controle de fontes de ignição é crucial para prevenir incêndios.
Equipamentos Elétricos: A seleção adequada de equipamentos elétricos é importante. Equipamentos à prova de explosão são projetados para suportar a força de uma explosão interna e evitar a propagação externa, sendo classificados por grupos (A, B, C, D) que correspondem aos materiais inflamáveis. Equipamentos intrinsecamente seguros limitam a energia em circuitos para evitar a ignição de atmosferas inflamáveis e podem ser vantajosos onde equipamentos à prova de explosão são impraticáveis ou caros. Equipamentos de uso geral (como interruptores, disjuntores, aquecedores, luminárias) não devem ser usados em ambientes perigosos com materiais inflamáveis, pois produzem arcos, faíscas e calor sob condições normais e de falha. Dispositivos não geradores de arco e geradores de arco podem ser permitidos em invólucros de uso geral se suas temperaturas não excederem 80% da temperatura de ignição do produto inflamável ou se a probabilidade de sua operação coincidir com uma condição perigosa for remota. Motores elétricos devem ser equipados com salvaguardas que os desliguem automaticamente ou acionem um alarme se as temperaturas excederem os limites de projeto. A classificação de áreas perigosas de acordo com padrões como ATEX, IECEX, NFPA, BS e API é o método mais comum para gerenciar fontes de ignição, regulando o tipo de fontes permitidas com base no ambiente inflamável esperado.
Eletricidade Estática: O acúmulo de carga eletrostática devido ao movimento de líquidos (bombeamento, esvaziamento, enchimento, pulverização) e materiais (pós, roupas sintéticas, calçados não condutores) pode gerar faíscas que são fontes de ignição. O aterramento e a ligação (bonding) são considerados a melhor e mais simples maneira de reduzir rapidamente as cargas estáticas acumuladas, permitindo que as cargas drenem para a terra e sejam neutralizadas. Manter a umidade relativa entre 60% e 70% geralmente previne o acúmulo de eletricidade estática. Em ambientes de baixa umidade, como “salas limpas”, onde o risco estático é maior, contramedidas como pisos antiestáticos, aterramento de equipamentos, evitar plásticos e aterramento/roupas antiestáticas para o pessoal são importantes.
Superfícies Quentes: Superfícies quentes, como motores, tubulações de processo ou reatores, podem atuar como fontes de autoignição. A ignição pode ocorrer perto da temperatura de autoignição (AIT), dependendo da área da superfície quente, duração da exposição e velocidade do fluxo de ar. O confinamento de gás inflamável por uma superfície quente pode reduzir a temperatura de ignição necessária.
Trabalho a Quente: Sistemas de permissão de trabalho são utilizados para minimizar os riscos de ignição associados a trabalhos a quente, como soldagem ou esmerilhamento.
Chamas Preexistentes: Chamas, por exemplo, de aquecedores a fogo, podem atuar como fontes de ignição pontuais.
4. Outras medidas de prevenção e mitigação
Supressão da Liberação: Usar água ou espuma para suprimir a liberação de inflamáveis.
Isolamento da Liberação: Sistemas de detecção e isolamento rápido podem limitar a duração de um evento, contendo o fluido restante ou desviando-o para uma área segura.
Inertização: Substituir o oxigênio por gases inertes como dióxido de carbono ou nitrogênio em processos em lote para reduzir o risco de incêndio. Deve-se implementar controle para evitar o risco de asfixia com gases inertes.
5. Equipamento de Proteção Individual (EPI)
O EPI deve ser considerado uma medida suplementar ou de último recurso, e não um substituto para as medidas preventivas e de controle primárias.
O EPI minimiza os riscos de exposição do trabalhador por inalação ou contato com a pele.
A seleção do EPI (roupas de proteção, luvas, proteção para olhos e face, equipamentos de proteção respiratória – EPR) deve ser baseada nos perigos, na natureza química dos líquidos inflamáveis e nas rotas de entrada no corpo. Luvas resistentes a produtos químicos feitas de materiais apropriados, como nitrilo ou neoprene para solventes à base de hidrocarbonetos, são importantes. Óculos de segurança, óculos de proteção (mergulhador) ou protetores faciais são necessários onde há risco de lesão ocular ou respingos. O EPR é usado onde o controle de engenharia não é praticável, como durante manutenção ou emergências. Em grandes emergências ou incêndios com risco de atmosferas Imediatamente Perigosas à Vida ou Saúde (IDLH) ou asfixia, aparelhos de respiração autônomos devem ser usados.
O EPI deve ser inspecionado, limpo, armazenado e substituído regularmente. O uso incorreto pode gerar uma falsa sensação de segurança.
A documentação das características do produto inflamável, suas condições de operação e as condições ambientais em formulários apropriados, seguida pela determinação do grau e extensão do perigo, é um passo importante para estabelecer o equipamento elétrico e fiação adequados. A probabilidade de ignição pode ser influenciada por fatores como se o produto é mais pesado ou mais leve que o ar, a quantidade liberada e a pressão do sistema.
Em resumo, a segurança com produtos inflamáveis requer uma abordagem em várias camadas que começa com a compreensão profunda dos perigos, seguida pela aplicação rigorosa de medidas preventivas na origem, controles de engenharia robustos, gestão meticulosa das fontes de ignição (elétrica, estática, térmica, etc.), procedimentos operacionais seguros e o uso adequado de EPI como uma camada adicional de proteção. O planejamento de emergência e o treinamento contínuo apoiam a resposta a eventos inesperados.