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BIOMARCADORES: CONCEITO, IMPORTÂNCIA E EXEMPLOS PRÁTICOS

Biomarcadores são moléculas biológicas encontradas em tecidos, sangue ou outros fluidos corporais que indicam processos normais, anormais, condições ou doenças. Eles funcionam como “sinais” mensuráveis do que está acontecendo no organismo, sendo fundamentais para a medicina moderna, especialmente na prevenção, diagnóstico, prognóstico e monitoramento de doenças como o câncer.

Tipos e aplicações de biomarcadores

Os biomarcadores podem ser classificados de acordo com sua aplicação clínica:

– Biomarcadores de risco/susceptibilidade: Identificam indivíduos com maior risco de desenvolver determinada doença. Por exemplo, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco de câncer de mama e ovário, levando à recomendação de rastreamento mais frequente para essas pessoas.

– Biomarcadores de triagem (screening): Detectam doenças em pessoas assintomáticas. O antígeno prostático específico (PSA) é amplamente utilizado para triagem do câncer de próstata, enquanto o CA-125 é usado para rastreamento do câncer de ovário em populações de risco.

– Biomarcadores diagnósticos: Auxiliam na identificação precisa de uma doença e sua origem. Por exemplo, o antígeno carcinoembrionário (CEA) é usado no diagnóstico de câncer colorretal, e o antígeno nuclear de matriz proteica-22 (NMP-22) é aprovado para diagnóstico de câncer de bexiga.

– Biomarcadores prognósticos: Avaliam a agressividade da doença e a provável resposta ao tratamento. Em câncer de mama, a presença dos receptores de estrogênio (ER) e progesterona (PR) está associada a melhor prognóstico. Já a elevação do inibidor tecidual de metaloprotease 1 (TIMP1) indica pior prognóstico em mieloma múltiplo.

– Biomarcadores preditivos: Indicam a probabilidade de resposta a um tratamento específico. Por exemplo, mutações no gene EGFR em câncer de pulmão preveem resposta a inibidores de tirosina quinase, enquanto mutações em KRAS em câncer colorretal indicam resistência a certos tratamentos.

– Biomarcadores de monitoramento: Permitem acompanhar a resposta ao tratamento e detectar recidivas precocemente. O CEA é monitorado em pacientes com câncer colorretal após cirurgia, e o CA-15-3 é usado para monitorar resposta em câncer de mama.

Exemplos práticos

– Câncer de mama: Além dos genes BRCA1/2, a expressão de HER2 é um biomarcador fundamental. Pacientes com tumores HER2-positivos podem se beneficiar de terapias-alvo como o trastuzumabe.

– Câncer de próstata: O PSA é o biomarcador mais utilizado, embora sua especificidade limitada possa levar a diagnósticos excessivos. Novos testes, como o índice de saúde prostática (PHI), buscam melhorar a precisão.

– Câncer de pulmão: A detecção de mutações em EGFR por meio de biópsia líquida (análise de DNA tumoral circulante no sangue) permite selecionar terapias personalizadas, tornando o tratamento mais eficaz e menos invasivo.

– Câncer de pâncreas: O CA 19-9 é utilizado para monitorar a resposta ao tratamento e recidiva, embora não seja específico apenas para esse tipo de câncer.

Fontes e tecnologias

Os biomarcadores podem ser detectados em diferentes amostras: tecidos (biópsias), sangue, urina, saliva, fezes e até no ar exalado. O avanço de técnicas como sequenciamento de nova geração (NGS), microarranjos de expressão gênica e espectrometria de massas tem ampliado a descoberta e validação de novos biomarcadores.

Considerações finais

O uso de biomarcadores está revolucionando a medicina, permitindo diagnósticos mais precoces, tratamentos personalizados e monitoramento preciso da evolução das doenças. No entanto, a validação clínica rigorosa é essencial para garantir que um biomarcador seja realmente útil e seguro na prática médica.

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